terça-feira, 21 de abril de 2020
O dia que diz-se fim. Ou o amanhã sem saber-se. Ou o ano que o vinte vem antes e depois dele mesmo. Ou o ano novo, carnaval, e pandemia.
Medo de morrer já tive, mas, e medo de matar? Já tive. Mas, e medo de adoecer todas as pessoas que te motivam a viver?
Cidades vazias, comercios fechados, carros parados, mas, o mundo virtual está lotado, nunca tanto quanto. Conexões infinitas, espaços naturalizados sem fronteiras. Lotado também os hospitais do mundo, quase todos com a mesma doença. O tal, covid 19 que chegou em 20. Tenho corrido, me cansado para enfim conseguir meditar. Tenho agradecido. Estudado. Insone, sonhado. Inconsciente mandando notícias muito loucas, inclusive esses dias minha mãe tinha me internado num hospício. Acordei com um sentimento terrível de injustiça. Lembro de antes de me entregar a estar em estado de dopação, apontei bem o dedo para minha mãe e disse três pontos defesa - que não me lembro mais. Alias, passei alguns dias de férias em pandemia, sempre soube que um dia a morte viria, e por isso gosto de vencer os melhores momentos da vida, recriando novos e compartilhando outros. Agora, se fossem as ultimas ferias, não poderia fazer a melhor e ultima viagem. Teria de ser em casa. Tudo certo, comecei a ser quem eu gostaria na individualidade, exercitar o corpo, escrever, aprender psicologia, conviver com minha gata, declarar meu amor, fotografar com meu olhar todos os fins de tarde que pudesse. E assim foram as férias, as vezes pensava, mas, em grande parte estava distraida vivendo no mundo virtual. Era tempo de olhar pra dentro pensei, no final das férias parei de mentir e passei a conviver mais comigo. Foi bom.
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