quinta-feira, 23 de abril de 2020
Foi dia de dor de estomago e de chá. Voltei a me arrastar para acordar, mas, sem desistir dos exercícios. Sigo firme e depois de suar o corpo parece que ele desperta. E fica. Levei um susto hoje durante a meditação e percebi quanto venho me entregando um pouquinho por dia a me observar. Chubaka pulou perto de mim, e eu acabei abrindo os olhos em sobresalto. Acordei pensando em fazer uma declaração pra minha mãe, daí ela passou aqui e não senti. É preciso ver, e deixar de romantizar, o amor parece ser mais que sentir, será? De uns tempos pra cá estou cheia de rotinas dentro do meu tempo comigo, é esquisito demais quando entra alguém, e tira este momento de liberdade que tenho. Acho que foi isso que senti quando minha mãe e o Lace chegaram em casa pela manha. Ainda não estava vestida, e tomava meu cafézinho, ouvia música, talvez dançava. Nada de desamor, era só meu momento. O trabalho me toma o dia, mas, estou conseguindo desligar, deixando as proposta de negócio lá dentro da agência, e ficando só com a psicologia, os pensamentos, as duvidas, as poesias por aqui. Faz bem Júlia, um passo por vez, e a vida logo será outra, entre tantas que você já viveu continuamente.
quarta-feira, 22 de abril de 2020
"Quem semeia vento, diz a razão, colhe sempre tempestade." Vinicius de Moraes
Insensatez mesmo é o nome dessa quarta feira de cinzas. Cinza o céu, indeciso sobre ensolarar ou chuviscar. Certa hora, eu já não sabia se toda aquela aceleração era na mente ou alguma dor disfarsada. Eu às vezes tenho dessas, a farsa é tão grande que nem mais sei o que é que tem por detrás. Me perco. Sei lá, quando voltei para casa, lavei a louça, tomei banho e fui fazer prova. Aprendi um monte. E agora, me sinto melhor. Parou a chuva, foi bom.
terça-feira, 21 de abril de 2020
O dia que diz-se fim. Ou o amanhã sem saber-se. Ou o ano que o vinte vem antes e depois dele mesmo. Ou o ano novo, carnaval, e pandemia.
Medo de morrer já tive, mas, e medo de matar? Já tive. Mas, e medo de adoecer todas as pessoas que te motivam a viver?
Cidades vazias, comercios fechados, carros parados, mas, o mundo virtual está lotado, nunca tanto quanto. Conexões infinitas, espaços naturalizados sem fronteiras. Lotado também os hospitais do mundo, quase todos com a mesma doença. O tal, covid 19 que chegou em 20. Tenho corrido, me cansado para enfim conseguir meditar. Tenho agradecido. Estudado. Insone, sonhado. Inconsciente mandando notícias muito loucas, inclusive esses dias minha mãe tinha me internado num hospício. Acordei com um sentimento terrível de injustiça. Lembro de antes de me entregar a estar em estado de dopação, apontei bem o dedo para minha mãe e disse três pontos defesa - que não me lembro mais. Alias, passei alguns dias de férias em pandemia, sempre soube que um dia a morte viria, e por isso gosto de vencer os melhores momentos da vida, recriando novos e compartilhando outros. Agora, se fossem as ultimas ferias, não poderia fazer a melhor e ultima viagem. Teria de ser em casa. Tudo certo, comecei a ser quem eu gostaria na individualidade, exercitar o corpo, escrever, aprender psicologia, conviver com minha gata, declarar meu amor, fotografar com meu olhar todos os fins de tarde que pudesse. E assim foram as férias, as vezes pensava, mas, em grande parte estava distraida vivendo no mundo virtual. Era tempo de olhar pra dentro pensei, no final das férias parei de mentir e passei a conviver mais comigo. Foi bom.
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