quinta-feira, 26 de junho de 2008

Infinito Particular.

Sempre há pedras no caminho...
Caminhos de pedra
Amores sem reta
Brigas sem metas..
Há um lugar no fim do mundo
No começo de tudo e de nada
Ele é explorado mudo
Cego
Os olhos entreabertos, espreitam a fronteira entre os universos
Indiferente
É lá que acontecem todas as guerras
Onde palpitam o verno
Desabrocham os perfumes
Cantigas viram vento
Brisa suave no relento
Um quadro confuso e inabitado
Cheio de sonhos não realizados, medos acalentados, tristonhos, esquecidos...
É lá onde ficam os momentos olvidados
E também os almejados...
Um caminho, palpitações do lado esquerdo
Pegaste um atalho incerne
Sete cores no céu
Chuva dourada
E de repente, permanente.





Rimado, um amor.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Praia? Deserto sem esquinas, lá onde o vento faz a curva!




Quatro paredes, os olhos mal alcançavam o outro lado do azul-amarelo.


Quatro lados sem fronteiras, onde o vento passa reto, liso, inteiro.


É possível cair, calar. calar sem ouvir, gritar e ecoar.


Eco no vazio do mundo, lá tudo é mais bonito. Acredita-se inclusive, em pés no chão, mãos ao alto que tocam o céu.


O corpo titubeou diante do espaço atemporal que me rondava. Olhos comovidos, por hora mudavam de cor projetando tudo o que se sonhava desacordado, LÁ, no planalto central. E era justamente essa a sensação que resplandecia, devaneios da alma, tudo aquilo que via, já estava gravado na imaginação.

Quando eu disse sonho realizado.
Foi.
E voou.

Voou a sete léguas, 1000 polegadas, na velocidade do vento.








Jeri, 06/2008

Duna pôr-do-sol





Lá de cima, o céu se confundia com o mar, era um tufão. Um monte que oferecia conforto e tensão a cidade. A qualquer momento ele podia voar para cima da vilazinha dos sapos e cachorros, vacas e cavalos. Mas dali, tudo parecia tão tranqüilo...



Muitos zeros compunham a casa dos infinitos grãos de areia que faziam daquele lugar o mais perto do céu. Em pé, de braços abertos, os olhos fechados, ficaram atentos à leveza da maresia, que vinha fresca, devagarinho, arrepio no corpo, ela atravessava, levando consigo a tensão que escandalizava até as pontas dos dedos. Que sensação boa!



,Esmaeci com o cansaço das pernas que quase não deram conta de chegar ao cume da duna para curtir o crepúsculo do entardecer. Sentei, e PLIN! Metamorfose de formas e cores. O azul celeste aos poucos era pintado com manchas vermelho-pálido, roxo-rosa, amarelo-cor-de-pôr-do-sol.



Enfim, o espetáculo mudou o tom e tudo ficou negro-azulado, pintado de pontinhos estrelados, planetas e signos cadentes.
Conforme o tempo segue
Nos conformes dos disformes
Eu me torno um quase nada...
Mal tenho vontade de ser eu mesma...


Às vezes a gente caminha sem saber para onde...
Perde a hora sem saber quando. Se segura no vento..
Às vezes o bem querer é angústia
Os sapatos apertam
O coração acelera
Às vezes o caminho é vago, vácuo
O vazio é cheio
O meio cheio é inteiramente vazio
Às vezes o amanhã é hoje,
Já passou de ontem,
Eu mal sei onde estou.
Quanto mais quem sou...