sábado, 27 de outubro de 2007

Dias nublados
Caminhos desconcertados, desconcentrados
E eu acordo numa alegria só
Chorando de tristeza
Alegria na ponta dos dedos
Quase me fogem do destino
Perdida no seguro
Por vezes sinto o escuro
Aparece um arco íris
Uma chuvinha brilhante
Estrelas prateadas caem do céu emaranhado
Saem dos meus olhos e voam
E voam...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Transamos, gozamos, as células floresceram, e estamos aqui imersos, em uma bola que flutua no espaço. Automóveis, selva de pedra, florzinha, fala, chora, ri, triste, feliz, anda, corre, corre, planos, futuro, futuro, passado, futuro, presente. Pretérito, idioma, fome. Há o canto de um pássaro disputando com a cigarra, uma moto cala o silêncio com seu motor hodierno. Dorme, sonha, pensa, sonha, futuro, futuro, lembra o futuro. Um dia as janelas da alma não mais revelaram essa loucura de sanidade mental. E então, não mais fará sentido, e quem fica? Abraça, sacode os ombros, sacode a cabeça e beija, e chora, pra onde? Simplesmente cessou, é insuportável me colocar no lugar de quem fica.
Tristezas inesperadas, são paradisíacas quando recheadas de vontade de viver, é nesse tesão que está o sentido da presença.
Se houvesse alguma certeza a respeito do amanhã, eu pediria que ele apenas existisse...

Condolências a família.
Um dia desses nós íamos a pé para escolinha...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Acordei com sono, mas no caminho percebi o quanto o dia estava lindo e ensolarado, assim como os outros todos, mas tinha uma pessoa, esses denominados meninos da rua, ou DE rua, enfim, a beira da avenida/rua, ele estava virado para o lado do sol nascente, em pé com uma garrafa d'agua ou outra cachaça qualquer. Dormia acordado, postura caída, de pés no chão, nús e empoeirados. A cabeça pendia para traz e os olhos por vezes, preguiçosos espreitavam algum raio de sol que a esta hora já estavam tomando todos os transeuntes apressados que mal percebiam a presença deste, naquela sargeta. E de repente, fez-se silêncio, e meus olhos acordaram, uma brisa silênciosa caminhou por meus cabelos empurrando-os com força para o caminho já percorrido, o céu azul como as árvores esverdeadas, deu um toque ensolarado na mente da tal expectadora do menin[go] sonâmbulo, foram segundos guarnecidos de elucidações do presente-Presente, o que me fez feliz naquele momento, foi justamente o fato de aquele ser humano, não ter me passado vontade de ser eu mesma, com sapatos, emprego e estudo, mas sim, de estar ali em pé parada, sonhando acordada, de fronte ao sol com brisa gelada, sem lenço e sem documento, viajando a beira de um abismo, deserto florado, céu desenhado, límpido como o mar desejado!