Acordei com sono, mas no caminho percebi o quanto o dia estava lindo e ensolarado, assim como os outros todos, mas tinha uma pessoa, esses denominados meninos da rua, ou DE rua, enfim, a beira da avenida/rua, ele estava virado para o lado do sol nascente, em pé com uma garrafa d'agua ou outra cachaça qualquer. Dormia acordado, postura caída, de pés no chão, nús e empoeirados. A cabeça pendia para traz e os olhos por vezes, preguiçosos espreitavam algum raio de sol que a esta hora já estavam tomando todos os transeuntes apressados que mal percebiam a presença deste, naquela sargeta. E de repente, fez-se silêncio, e meus olhos acordaram, uma brisa silênciosa caminhou por meus cabelos empurrando-os com força para o caminho já percorrido, o céu azul como as árvores esverdeadas, deu um toque ensolarado na mente da tal expectadora do menin[go] sonâmbulo, foram segundos guarnecidos de elucidações do presente-Presente, o que me fez feliz naquele momento, foi justamente o fato de aquele ser humano, não ter me passado vontade de ser eu mesma, com sapatos, emprego e estudo, mas sim, de estar ali em pé parada, sonhando acordada, de fronte ao sol com brisa gelada, sem lenço e sem documento, viajando a beira de um abismo, deserto florado, céu desenhado, límpido como o mar desejado!
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
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